segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Discovery - Deus criou o Universo?

Como eu imaginava, "Deus criou o Universo?" do Discovery Channel, com Stephen Hawking, não resolve muita coisa. Em um programa de uma hora, percebi três pilares principais que sustentam a presunçosa conclusão de Hawking. A geração espontânea em nível quântico, a anulação positivo/negativo no universo e o congelamento do tempo no horizonte de eventos de um buraco negro. Vou comentar cada um destes pilares sob a minha ótica.

Geração espontânea no nível quântico
Isso é, ainda, uma teoria, sem comprovação e sem explicação concreta, como era de se esperar de uma teoria. Na verdade, ninguém sabe ao certo se a geração é de fato espontânea. Mesmo admitindo que isto seja um fato, acontecer ao nível subatômico (ainda pouco explorado), não garante que aconteça em nível atômico ou superior. Uma pessoa não surge do nada ao seu lado. Um planeta não surge do nada, uma picanha não surge do nada na minha churrasqueira. Esta "descoberta" no nível quântico não anula, de forma alguma, a lei da causa e efeito, como Hawking tenta nos convencer. E de fato, não conhecer como determinada coisa é gerada não significa que o acaso a gerou. Muito me admira um cientista do nível do Hawking chegar nesta conclusão. Me pareceu as teorias da Terra chata, geocentrismo ou da geração espontânea da idade média.

Anulação positivo/negativo no universo
Hawking tentou explicar a criação de um monte de terra por um homem com uma pá, mostrando que do lugar de onde saiu o material (terra) ficou um buraco idêntico ao monte. No contexto do Universo, de onde saiu toda a "terra" que formou toda a matéria? Na analogia utilizada, a terra já estava lá. O que aconteceu foi apenas uma transformação (neste caso da posição) de toda a terra. Ainda fica a pergunta: onde a causa primária?

Congelamento do tempo no horizonte de eventos de um buraco negro
Na verdade, essa teoria não é do Hawking, mas sim de Leonard Susskind que combateu a "Hawking radiation". A radiação de Hawking ia de encontro a uma das mais antigas leis da física: nada se perde, tudo se transforma. Hawking dizia que, ao ultrapassar o horizonte de eventos de um buraco negro, parte da informação se perdia. Susskind postulou uma teoria, baseada nas leis da gravitação universal e em modelos matemáticos dizendo que, na verdade, no horizonte de eventos de um buraco negro há uma distorção no tempo. A percepção desta distorção varia de acordo com o ponto de vista do observador. Quem ainda não leu esta sobre isto vale a pena dar uma olhada. Houve um intenso debate entre Hawking e Susskind, onde este ultimo saiu vencedor e Hawking hoje admite que o "tempo para" no horizonte de eventos. Baseado nisso, Hawking afirmou que, no inicio de tudo, o tempo poderia estar parado, o que, segundo ele, eliminaria a necessidade de uma causa primária.

Vejo algumas perguntas. A primeira: se o "tempo" estava parado, de onde veio o "tempo" e se existia o conceito de parado, já deveria ter existido (ou coexistido) o conceito de movimento, já que o conceito de "parado" é relativo.

Outro fato que não deve ser esquecido é que esta teoria na verdade é uma... errrr... teoria. Ela serve para responder uma boa quantidade de perguntas. Mas ela responde através de modelos matemáticos e na verdade gera mais perguntas que respostas, como o proprio Susskind afirma.

Algumas "respostas" servem apenas para o explicar o universo em que vivemos, que os fisicos tem a presunção de chamar de universo conhecido. Quem pode garantir que só temos esse Universo? E a teoria do multiverso? A teoria das cordas, da antimatéria, da nulidade das particulas, sugerem que existem universos paralelos. E se, antes de surgir o nosso universo, outros já existiram? E se, o nosso "big bang" foi, na verdade, uma gigantesca super nova? E se a coisa toda for ciclica como, na verdade, sugerem as leis da física/natureza?

Outra pergunta: de onde vieram as leis da física? Na minha visão, é uma temeridade acreditarmos que algo não inteligente (acaso) possa ter criado algo inteligente (as leis da natureza/fisica).

Não quero defender o criacionismo ou a teoria do acaso. Só estou dando o benefício da dúvida, pois ao contrario do que Hawking e a Discovery acreditam, eles não responderam todas as perguntas. Vejo que ainda estão muito distante disso.

A "crença" de Hawking de que com estas proposições fica muito claro que Deus não existe e nada criou o Universo, na minha visão, deve ser tratada como o que é na verdade, uma crença. Uma crença que não é mais comprovada e verificada que o Catolicismo, Protestantismo, Judaismo, Hinduismo, Budismo, Espiritismo, etc, já que baseia-se em teorias que estão longe de serem comprovadas. A própria radiação de Hawking, derrubada pelo Susskind, sugere que é perigoso fazermos afirmações conclusivas, mesmo baseadas em uma série de modelos matemáticos aparentemente confiáveis e supostamente infalíveis.

Estas questões estão longe de uma definição final, e não podemos parar de questionar.